Vale o que vale, mas o pico da minha ansiedade coincidiu com a minha perda de peso em 10 kg.
Hoje que peso novamente perto de 90 kgs, sinto-me liberto de pensamentos de ansiedade e de falta de auto-estima. Não sei exactamente onde é que me perdi, mas sei que em algum momento deixei de ouvir a minha alma e passei a querer agradar algo que estava incompatível com a minha dinâmica.
A vida é o que é.
Mas acho que este período de ansiedade que vivi, foi um alerta para um conjunto de coisas que não estavam bem para mim, e que eu queria aceitar que eram boas para mim, só porque queria ser aceite acima de tudo.
No fundo percebi que eu tenho de ser aceite pela pessoa mais importante na minha vida, eu próprio. Pois sem mim, não posso fazer nada pelos outros.
Eu tenho mesmo de estar sintonizado com essa consciência que vive no meu amago.
Há cerca de seis meses que deixei de sentir grande ansiedade, embora continue com um rumo pouco definido. Com muitas possibilidades de exploração.
Só tenho mesmo que escolher. É bom ter uma escolha. Nem que seja ilusória quanto ao desfecho. Pois logo de seguida, uma nova ilusão de escolha se irá apresentar.
sábado, 31 de agosto de 2019
Fim de verão
sábado, 27 de abril de 2019
Alguns meses livre de ansiedade
Para quem possa seguir este blogue, faço este relato para que saibam que é possível rumar em direcção a momentos livres de ansiedade.
Mas deixo uma palavra de cautela, para aqueles que são propensos a acalentar esta emoção tão desagradável.
Tal como um ex-alcoólico tem que estar vigilante em relação a possíveis recaídas, também o ansioso tem de se precaver de comportamentos e rotinas familiares que tragam o nefasto sentimento ao topo.
Tudo começa com um pequeno passo. Admitir que a ansiedade existe, saber que ela não tem domínio sobre nós, que é uma manifestação de algo que está a processar-se em nós.
Adoptar uma postura meta, ou seja ser um espectador do nosso próprio sentimento, e dar-se tempo para ver desconstruir. Compreender que tudo tem o seu tempo, e que cabe nos definir o que é que importante preservar no presente. É mesmo uma questão de escolha, o problema pode ser só mesmo um de falta de método na relativização do sentimento.
Hoje em dia, passado mais de um mês dos últimos ataques de ansiedade, posso dizer que há uma atitude mais consciente quando os primeiros sinais surgem. Afinal tudo é passageiro, se optarmos por seguir com a nossa vida.
Do not linger.
sábado, 9 de fevereiro de 2019
Franqueza
Por experiência pessoal, creio que a ansiedade deriva das mentiras que nos contamos para alimentar os planos para o futuro. Se vivemos para alimentar os sonhos dos outros, esquecendo a importância de ouvir a voz que está soterrada no ruído da nossa vida.
É importante ouvir bem o que está no fundo do nosso ser e não o operador activo que está a trabalhar a 100% na nossa cabeça.
segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019
Interfase
Há períodos de tempo em que estamos mais ocupados com o emprego, com a família, com o parceiro(a), com os nossos passatempos, com uma variedade de situações possíveis que nos distraem por momentos do nosso eu interior.
Os tempos de ocupação não vão necessariamente sublimar a ansiedade de sólido para vapor, simplesmente a vão cobrir para outra altura em que baixamos os braços da acção. Não quer dizer que a ansiedade só ocorra nos momentos de inacção. Pelo que tenho lido é justamente na compreensão da importância dos "nossos"momentos de inacção que vamos encontrar a resposta mais profunda para desconstruir a ansiedade.
Tudo o resto é interfase.
Como um cartaz que vi noutro dia sobre o mergulho.
"Life is scuba dive, everything else are just passing moments at the surface."
Dediquem 5 minutos do vosso dia a não fazer nada, a ouvirem a vossa respiração, a verem na vossa mente as nuvens do que vos preocupa passar. É como estar num filme e ver aquelas naves que se aproximam. Durante instantes nada acontece, apenas contemplamos a possibilidade de qual é a intenção que elas albergam.
Em cada 5 minutos de introspecção damos tempo a nós para nos ouvirmos verdadeiramente e estarmos mais conscientes do nosso ponto de existência neste mundo.