Não sei explicar.
Uma conversa simples. Uma pergunta e uma resposta, foi tudo o que bastou para provocar medo.
Eu não posso aceitar que a causa seja esta resposta. Para o facto presente, o teor da pergunta e resposta não é relevante, uma vez que a resposta consistiu num não sei.
A percepção da forma da resposta é que impulsionou um medo, que para mim já cá estava escondido.
Creio que temos muitos medos escondidos dentro de nós. Pequenas bombas relógio que deixamos para trás, em determinados momentos, pequenos momentos não solucionados, e que ficam a semear a desordem interna.
Não está correcto. Há muitas maravilhas na vida de cada um que deixam de ser percepcionadas porque estas pequenos parasitas do passado nos assaltam, activados por um estimulo do presente.
A solução para este problema não passa por retirar os estímulos, se bem que numa primeira abordagem, quando os ataques de medo e de ansiedade surgem como intoleráveis, possa ser desejável reduzir o contacto com este tipo de estímulos. No entanto, o caminho para a liberdade passa por encontrar cada um destes dispositivos do passado e desmantela-los a um ponto em que já não nos possam ferir caso sejam estimulados.
Como é que se faz isso?
Reconhecendo que são todos frutos do passado. O que é passado por desígnio já não pode ter acção no presente, porque já passou, e se o seu eco nos incomoda, é preciso regular o nível do eco para patamares onde não nos possa ferir. Uma recordação, um estimulo podem existir, nós temos que perceber que o passado está lá para trás. Não está aqui e agora. Aqui e agora estão outras coisas. O que o presente nos recorda não é o mesmo que significa. O passado teve um impacto, o estimulo do presente não deve ter esse efeito.
Compreender que o estimulo pode servir para inspirar e não para magoar é o caminho. Perceber que aquela palavra não tem de ter o mesmo peso, que aquela acção não se pode reflectir em nós. E se o estimulo é externo, é apenas da responsabilidade de quem o produziu, o seu efeito tem de ser relativizado.
Objectivo futuro:
Cada estimulo que me provoque uma reacção adversa. Deve ser imediatamente detectado, e associado a uma resposta positiva. Por exemplo, oferecer-me algo, um chocolate, uma musica, uma leitura de uma anedota. É preciso reeducar a mente. As acções dos outros não devem destruir-nos. Temos de nos fazer imutáveis em espírito ao veneno alheio, pois na maioria dos casos não é veneno, e se por acaso a origem tem uma intenção venenosa, é muito provável que nem sejamos nós os visados.
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